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Sistemas

Sienge, UAU, Mega ou TOTVS: o que o ERP da sua incorporadora já faz sozinho

28 de setembro de 2026 · leitura de 9 minutos

No artigo sobre o circuito do papel, a pergunta era se a empresa usa plenamente o ERP que já paga. A pergunta que veio logo depois, em mais de uma conversa, foi mais direta: e o meu sistema faz isso?

Fomos à documentação pública dos quatro sistemas mais usados pelas incorporadoras brasileiras e colocamos lado a lado o que interessa a quem opera o financeiro: quem busca a nota do fornecedor sozinho, quem aprova pelo celular, quem concilia o banco, e por onde o dado sai para um relatório ou para um BI. Não é um ranking. Os quatro são sistemas sérios, com anos de mercado. O objetivo é saber o que perguntar, e o que ligar.

Veja em movimento: a animação interativa O caminho da nota mostra o mesmo mês no circuito do papel e com o ERP ligado, e deixa trocar o sistema para ver o que cada um faz de fábrica.

Quem é quem

São quatro sistemas, mas só três grupos por trás deles. Isso importa, porque dois dos quatro estão sendo unificados.

SiengeDo grupo Starian, a empresa que a Softplan separou para o setor privado. Sediado em Florianópolis.
UAU e MegaOs dois são da Senior. O UAU veio da Globaltec, nascida em Goiânia e comprada em 2022; o Mega foi comprado em 2018. A Senior os une no UAU XT.
TOTVS ConstruçãoMódulos de obras e de gestão de imóveis da TOTVS, construídos sobre a linha RM do ERP.

Sobre o tamanho de cada um, os números disponíveis são os que os próprios fornecedores divulgam. O Sienge declara mais de 9 mil clientes em todos os estados e diz que 80 das 100 maiores construtoras do Ranking INTEC 2026 usam alguma solução do seu ecossistema. A Senior diz que 56% das construtoras de capital aberto do mesmo ranking usam suas soluções, e que no Norte e no Centro-Oeste mais da metade das ranqueadas é cliente dela. A TOTVS não publica o número do segmento.

Como ler esses números: eles passam de 100% quando somados. Cada fornecedor conta o ecossistema inteiro, incluindo CRM e aplicativos de obra, e uma mesma incorporadora pode usar o ERP de um e o CRM de outro. Servem para saber quem está presente, não para medir participação de mercado.

O que cada um faz, lado a lado

Três marcações. Recurso próprio: a função existe no próprio ERP. Produto complementar: a função existe, mas por outro produto do mesmo fornecedor, contratado à parte. Confirmar: não localizamos na documentação pública e vale perguntar ao fornecedor.

FunçãoSiengeUAUMegaTOTVS Construção
Nota do fornecedor buscada na SEFAZ, sem ninguém baixar o XML Recurso próprio
Módulo de recepção de NF-e, com manifestação automática de ciência
Produto complementar
Pelo Senior e-Docs, de licença própria. No UAU, a importação nativa é do XML salvo em pasta
Recurso próprio
Gerenciador de NF-e consulta a SEFAZ e insere as notas no sistema
Produto complementar
Pelo TOTVS Colaboração 2.0, com vínculo automático ao pedido de compra
Aprovação no celular Recurso próprio
Aprovação de pedido de compra em tela para celular e aplicativos de aprovação de pedido e de contrato
Recurso próprio
Aprovação de pagamento por aplicativo
Confirmar
Não localizado na documentação pública do Mega
Recurso próprio
Aplicativo Minhas Aprovações, integrado à linha RM a partir da versão 12.1.28
Conciliação bancária automática Recurso próprio
Por extrato OFX e por extrato digital
Recurso próprio
Conciliação bancária automática
Recurso próprio
Conciliação automática por data, tipo e número de documento
Recurso próprio
Reconciliação automática, com importação de extrato OFX
API para tirar o dado do sistema Recurso próprio
API REST e consulta em massa. Para clientes em nuvem, com limite diário definido pelo pacote contratado
Recurso próprio
Mais de 100 rotas REST. A API é instalada junto do sistema e o desenvolvedor é homologado pela própria empresa cliente
Recurso próprio
APIs de integração da plataforma Senior
Recurso próprio
Webservices da linha RM e API de consulta SQL, que executa consultas cadastradas no próprio sistema
Webhook: o sistema avisa quando algo acontece Recurso próprio
Contas a pagar, caixa e bancos, contratos e medições, diário de obra
Recurso próprio
Com assinatura da mensagem e registro de cada envio
Recurso próprio
Tela própria de webhooks no módulo de construção
Confirmar
Existe em outros produtos TOTVS; não localizado nos módulos de construção

Levantamento da AFTER na documentação pública dos fornecedores, em setembro de 2026. Recursos variam por versão, por módulo contratado e por instalação. Antes de qualquer decisão, confirme com o fornecedor ou com o canal que atende a sua região.

O que a tabela mostra

A primeira leitura é que os quatro cobrem o essencial. Aprovação com registro, conciliação automática e uma forma de tirar o dado do sistema existem em todos. Para a maior parte das incorporadoras, a pergunta não é se o sistema faz, é se a função está ligada.

A diferença mais concreta está na nota do fornecedor. Em dois dos quatro, a busca automática na SEFAZ é do próprio ERP. Nos outros dois, depende de um produto complementar do mesmo fornecedor. Nada de errado nisso, mas muda a conta: quem compara propostas precisa saber se a função está no preço ou se vem depois.

A segunda diferença está na porta do dado. No Sienge, a API é da nuvem e o volume é definido por pacote, o que torna o custo previsível e pede atenção ao dimensionamento. No UAU, a API roda junto do sistema, sem cota do fornecedor, e o acesso depende da infraestrutura e da liberação da própria empresa. Na TOTVS, a consulta é cadastrada dentro do sistema, o que dá liberdade para trazer exatamente o dado que o relatório precisa e costuma envolver a equipe que administra o RM. São desenhos diferentes, e cada um tem o seu custo de manutenção.

O que a tabela não mostra

Recurso na lista não é recurso funcionando. Quatro coisas pesam mais do que qualquer linha acima, e nenhuma aparece na documentação.

Se você está escolhendo um sistema

Seis perguntas para levar à demonstração. Todas têm resposta objetiva, e a resposta vale mais por escrito na proposta do que na apresentação.

  1. A nota do fornecedor chega sozinha da SEFAZ? Está na licença ou é produto complementar? A manifestação é automática?
  2. A aprovação tem alçada e registro no celular? Para pedido, contrato, medição e pagamento, ou só para alguns?
  3. A conciliação é automática com o meu banco? Por arquivo OFX, por CNAB ou por integração direta? O que sobra para a pessoa conferir?
  4. A API está incluída? Tem limite diário? Quanto custa ampliar? Funciona na minha forma de instalação?
  5. Existe webhook? Para quais eventos? Com registro de envio e reenvio em caso de falha?
  6. No fim do contrato, levo todos os meus dados? Em que formato, em quanto tempo e a que custo?

Se você já tem um sistema

A maioria das incorporadoras está nesse caso, e aqui o conselho é outro. Trocar de sistema é a decisão mais cara que a operação pode tomar: migração de histórico, reimplantação, treinamento e meses de dois sistemas convivendo. Antes dela, costuma render mais ligar o que já existe.

  1. Faça o inventário. Módulo por módulo, com quem opera: o que está ligado, o que está contratado e parado, o que nem se sabia que existia.
  2. Ligue um circuito por vez. Comece pelo documento com mais toques, quase sempre a nota do fornecedor. Toque se corta, decisão ganha registro.
  3. Ponha o BI por cima. Com a API ou a consulta do seu sistema, o relatório passa a nascer do banco de dados, todo dia, com data e origem de cada número, e o fechamento deixa de ser o único momento em que a diretoria enxerga a empresa.
O melhor ERP é o que está ligado. Entre os quatro, as diferenças existem e estão na tabela. Mas a distância entre uma operação que usa o sistema inteiro e outra que usa o cadastro e o lançamento manual é maior do que a distância entre quaisquer dois deles.

Quer saber quanto do seu sistema está ligado?

Fazemos o inventário com quem opera, ligamos um circuito por vez e colocamos o BI por cima, no ERP que a sua empresa já usa. Fale com a gente.

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